Não tenho boas memórias de há um ano, por esta altura. 2010 começou da pior maneira para mim. A minha perda não foi material. As minhas preocupações da altura não estavam relacionadas com o emprego ou com as angústias do dia-a-dia. A minha perda foi daquelas que chamamos irreparáveis.
Perdi o meu melhor amigo.
Mas a melhor homenagem que lhe tenho feito nem é a de chorar a sua perda. A melhor forma que tenho de honrar a sua memória é lembrá-la.
Faço-o em família, porque a sua marca se estendeu por ela, e para rir de tudo o que passámos juntos. E faço-o em público porque o António Fernandes tocou em toda a gente que o conheceu. E este acto tem o efeito da multiplicação.
Apesar de uma perda ser uma perda e mesmo quando achamos que nada a substitui há sempre algo que a compensa. O que tornou menos sombrio o início do meu 2010 foi o nascimento de três crianças. Duas minhas e uma terceira tão especial como as minhas.
Especial porque é descendência do amigo que perdi.
Ora e passado um ano, perante um 2011 que se prevê tão duro o que podia deixar-nos de bem com a vida, sobretudo aos que perdem amigos, irmãos, pais e mães?
Os nascimentos.
Eu, com uma casa cheia de crianças, sei bem o que compensa qualquer vida, mais vida.
2011 começa expectavelmente sombrio para muitos. Mas não para mim. Apesar de tantas incertezas há quem não as tema. Parabéns aos meus dois amigos que me confessaram que vão ser pais.
Para mim e para eles vai ser, de certeza, um bom 2011.
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