O tremendismo, para além de ser um neologismo, diz-me o meu corrector automático de texto e a ausência da palavra no dicionário de língua portuguesa, é habitualmente usado para descrever algo que é exagerado. O termo é por exemplo usado pelos espanhóis, num contexto de pós-guerra civil e pode definir-se como um estilo muito próprio de descrever a realidade sob a óptica do exagero e do pessimismo radical.
Os tremendistas são de sempre.
Por exemplo, o velho do Restelo foi um tremendista. Camões atribuiu-lhe o carácter pessimista e até reaccionário de que padecem alguns de nós, portugueses. Afinal de que sofre por exemplo o respeitável Medina Carreira? É que consigo imaginá-lo a declamar:
A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Para qualquer tremendista não existe amanhã e custa-lhe tanto acreditar na humanidade que basta-lhe o exercício sádico de descredibilizar a esperança. Se dessem a escolher a um tremendista o livro das suas vidas, de certeza que optariam pelo fascículo bíblico do apocalipse.
Um tremendista nunca tem razão. Apesar de muitas vezes nos deixar na dúvida.
Por exemplo nenhum destes apóstolos da desgraça conseguiu prever a subida desenfreada dos preços do petróleo em 2008, nem conseguiu prever a pior crise económica internacional de sempre. Prever um tremendista não prevê. Mas consegue sempre adivinhar que vai ficar muito pior do que está.
Soluções um tremendista nunca tem. A não ser que se interrompa a democracia para pôr tudo na ordem.
E visão também não. Adivinharia ele que em 2011 um movimento convulsivo havia de sacudir a Tunísia, estender-se ao Egipto e espalhar-se por estados autocráticos institucionalizados e anocracias ou regimes de autoritarismo incoerente? Imaginará ele onde parará esta onda que ameaça as próprias ameaças que tanto bradou?
Ou seja o tremendista, para além de não prever ou antecipar coisa nenhuma, age com a intenção de criar nos outros a ideia de uma tragédia eminente, com o propósito camuflado de coarctar a decisão sob a pressão do medo.
Ora eu não reconheço o medo como bom conselheiro.
Acho muito mais útil ignorá-lo.
2 Lados:
pois bem meu caro amigo Francisco Costa
Reparo que continuas com uma inteligência mestra e uma capacidade de "ir fazendo" política completamente fora do comum. Tenho nas tuas palavras um verdadeiro desígnio atendendo a que de uma forma directa, honesta e conclusiva conseguiste definir muitos daquelas a quem as televisões, rádios e demais meios de comunicação social dão "espaço de coluna" para os profissionais do mal dizer, os arautos das verdades apocalípticas e pior ainda, aqueles que vivem tentando desviar e inferiorizar o que de bom se faz no nosso Portugal.
Lamento que numa altura como a que vivemos, efectivamente a pior crise económica que há memória, talvez, mas só mesmo TALVEZ ultrapassável pela crise de 29 (não vou tentar explicar o TALVEZ, pois não seria possível em tão curto espaço)adoptam constantemente a política, a postura do bota-abaixo para terem espeço de intervenção.
Que as coisas não estão bem, todos sabemos mas devemos procurar ser optimistas e pesar na forma correcta de agir por forma a ultrapassar esta crise que tanto nos afecta e enaltecer as inumeras virtudes que temos e as grandes capacidades das quais dispomos.
P.S. não levema mal, mas eu vou continuar a escrever de acordo com o antigo acordo ortográfico (sinceramente acho-o mais Português)!
Gonçalo Camacho
Não levo a mal porque, mas por preguiça, ainda escrevo o arcaico. Os tremendistas contribuem para o excessivo pessimismo dos portugueses e isso é, quanto a mim, arruinar-lhes a auto-estima. Alguém pode pensar em ter sucesso com uma baixa auto-estima?
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