O pré-anúncio de uma moção de censura do BE ao Governo funciona como uma bomba com retardador.
Não que se deva levar a sério a jogada irresponsável de um partido minoritário como o BE mas porque a indefinição de uma posição do PSD em relação a esta moção de censura cria um clima de dúvida que objectivamente põe em causa o esforço que o país está a fazer para cumprir os seus compromissos e assim conseguir continuar a poder financiar-se externamente.
Ou seja, apesar de não acreditar que o PSD viabilize esta moção de censura, o seu silêncio em relação a ela tem um custo que é o da desconfiança dos investidores e da própria União Europeia no País.
E a antecipação do BE ao PCP, que também já tinha ameaçado o País com uma moção de censura, sendo um acto de puro tacticismo político, altera o fim de uma iniciativa como estas porque se sabe que ela não derrubará o Governo mas serve apenas como número politiqueiro.
Francisco Louçã teme mesmo que levem esta moção a sério, já que seria acusado de ter feito um grande favor à direita, criando a oportunidade a esta de chegar ao poder. Veja-se a confusão interna que se instalou no BE depois desta manobra de Louçã.
Passos Coelho nunca arriscaria derrubar o Governo por sua iniciativa, porque sabe bem que o País não o compreenderia depois de o PSD ter viabilizado o Orçamento de Estado para 2011, que prevê medidas tão duras como necessárias e que agora tão prontamente critica.
É que o PSD colocou todas as suas esperanças na entrada do FMI para ter um motivo forte que lhe permitisse acusar o governo de ter falhado. Como já se percebeu o FMI dificilmente virá e o crescimento económico do País fechou em 2010 com valores superiores às previsões do Banco de Portugal, da Comissão Europeia, do FMI e até do próprio Governo português.
E são estes resultados que estão a deixar nervosa toda a oposição. A esquerda radical porque para ela quanto pior melhor, a direita porque cresce a pressão para tomar o poder e Passos Coelho tem um prazo para o conseguir.
Imagine-se que José Sócrates consegue uma boa execução orçamental no primeiro trimestre do ano, como se está a ver que vai conseguir. Veja-se que e para combater a certa recessão da economia interna devido às medidas de austeridade, o governo consegue um aumento das exportações que compensem o fraco consumo interno. Já as viu aumentar em 15% no final de 2010.
É este o problema da oposição. Que afinal o Governo consiga mesmo o que diz que vai conseguir.
E por assim pensar o PSD, resta-lhe uma qualquer rasteira que impeça o governo de governar, para usar uma expressão do inefável António Capucho, dirigente do PSD e conselheiro de Estado do presidente Cavaco Silva.
Voltaremos onde já estivemos, um Bloco desacreditado e um PSD a fazer o número da indefinição, aliás como fez com o Orçamento de Estado para 2011.
Percebe-se bem com quem o País pode contar.
Para já ele, o País, deve estar tão estupefacto quanto eu. Entretanto lá vamos assistindo ao equilíbrio dos habituais em cima do muro. Começa a ser difícil para eles, os equilibristas, saber para que lado saltar.
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