A desregulação dos mercados financeiros, os ataques especulativos às dívidas soberanas, a incerteza do crescimento económico, a retracção do investimento e a dificuldade na criação de empregos, provam bem a dimensão que esta crise tem e que apanha, sem excepção, todos os países da União Europeia. Esta é a mais grave crise económica internacional que conhecemos.
Desde 2005 que José Sócrates governa o País. E enfrentou já duas conjunturas extraordinariamente difíceis: em 2005-2007 com uma crise interna das finanças públicas e em 2008-2011 com esta devastadora crise internacional.
Em 2008 estava vencido o desequilíbrio das finanças públicas e iniciado um processo de mudanças estruturais que modernizaram e economia e a sociedade. São elas que têm constituído uma mais-valia para enfrentarmos as dificuldades decorrentes de uma competitividade com o exterior cada vez mais exigente.
Até à eclosão da crise internacional a nossa economia cresceu, atingindo em 2007 os 2,4 % do PIB. A recessão económica mundial de 2009 foi muito menos forte em Portugal dos que nos restantes Países da União Europeia.
Nunca com até ao momento se investiu tanto em Ciência, Educação e Inovação e se qualificou o Serviço Nacional de Saúde. Nunca como antes se apostou tanto na Internacionalização das nossas empresas, com resultados extraordinários no aumento das nossas exportações e na diversificação dos nossos mercados. Nunca como antes se reduziu tanto a nossa dependência energética, apostando em energias alternativas. Nunca como antes se reformou o nosso sistema social público, dando-lhe sustentabilidade a longo prazo e maior justiça na afectação dos nossos recursos.
Estes resultados evidenciam-se num conjunto de indicadores estruturais que não podem ser relativizados pelas dificuldades da crise, como o aumento do desemprego e a difícil situação que vivemos face à crise das dívidas soberanas. Foi esta situação complexa e em resposta à crescente pressão social que o nosso défice passou de 3,6% em 2008 para 9,4% em 2009. 40% deste aumento teve que ver com a perda de receitas, 30% com políticas sociais e 17% com políticas activas de estímulo à economia.
O Governo tem feito tudo o que está ao seu alcance para resolver os problemas do País, sem recorrer a ajuda externa, que fragilizaria a credibilidade do País e aumentaria em muito o grau de dificuldades com que hoje se debatem os Portugueses. E os portugueses têm provado que conseguem resolver os seus problemas.
O PEC é um pacto que é revisto anualmente por todos os países da União Europeia. Este pacto é um compromisso de que cada um dos países da zona euro em resolver os seus próprios problemas, defendendo o euro.
A polémica de forma em torno do PEC é a rasteira que o PSD precisava de dar ao Governo, como aliás sugeriu António Capucho, conselheiro do Presidente Cavaco Silva e ex-dirigente do PSD. PSD que chegou em 2004 a levar o seu PEC a Bruxelas sem que o tivesse apresentado aos portugueses ou discutido com os partidos da oposição.
Não vale a pena insistir neste ponto porque bem sabemos que o PSD, discordando das medidas que são apresentadas, só tem de apresentar alternativas. E não o quer fazer porque só está interessado em alcançar o poder.
Ora esta rasteira é dada no pior momento possível do País já que a cimeira europeia da próxima quinta e sexta-feira é crucial tanto para o futuro do euro como para Portugal.
Este é o momento decisivo para a União Europeia e para Portugal, que já conseguiu garantias das instituições europeias, sobretudo na possibilidade de compra das dívidas soberanas através de um fundo europeu, a taxas de juros mais razoáveis e que irão reduzir a pressão que os mercados exercem neste momento sobre o País.
Esta crise vem na pior altura porque, havendo eleições, são 3 meses de vazio de poder e retiram ao País autoridade para negociar junto dos parceiros mais vantagens que ajudem o próprio país a sair desta crise.
Numa ida para eleições todos os partidos perderão porque os portugueses não compreenderão como estes não encontraram o consenso tão necessário, numa situação tão dramática.
Uma eventual campanha eleitoral só vai desacreditar mais os partidos e deixar o país mais próximo da bancarrota. É que numa circunstância normal e tendo um governo minoritário que não consegue consenso com a oposição seria aceitável que tivéssemos eleições para uma clarificação.
Mas assim corremos o risco de sair de umas eleições sem que fique definida uma maioria, o que agravará ainda mais o estado do País.
Não se trata por isso deste ou daquele partido mas de defender o País. E como se pode dizer que se está disponível para governar com o FMI quando nos basta ver a situação da Irlanda e a Grécia para percebermos que se consideramos o actual plano de austeridade como duro, mais duro será com as imposições do FMI.
Não me interessa se Passos Coelho está a ser pressionado pelo seu Partido para tomar o poder. Interessa-me sim porque considera o PSD que a sua agenda política é mais importante que o País.
0 Lados:
Enviar um comentário